A começar em mim…

A começar em mim...
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Jean Paul Sartre afirmou certa vez: “O inferno são os outros”. É certo que há todo um contexto para esta frase, mas tomando-a em seu sentido mais cru, não seria essa a postura que muitas vezes tomamos com relação aos problemas dentro da família? Sempre localizamos os problemas e pecados da família no outro cônjuge, nos pais, nos filhos. Ou seja: nossa família tem um problema e o problema é sempre o outro. Vivemos uma eterna procura de quem é o mocinho e quem é o bandido, procurando o culpado. Mas afinal, será que isso chega a algum lugar?

Quando nossos primeiros pais caíram, Adão não aceitou sua responsabilidade mas acusou Eva. Eva acusou a serpente (Gn 3). Desde então, tendemos a negar nossa responsabilidade pessoal pelos problemas da família e dizemos: “Você é o problema nessa casa!”. A teoria familiar sistêmica tem nos alertado há muitos anos que a família é um sistema muito complexo de interações humanas que estão sempre interligadas. Neste sistema, a doença de um alimenta a doença do outro: o passivo e o agressivo, o controlador e o submisso. As interações são inúmeras mas a realidade é uma só: não existem mocinhos nem bandidos nesse jogo. Existem homens e mulheres pecadores tentando viver a realidade sagrada, divina, da família.

Então o que fazer? Bem, pode ser que de fato alguém esteja pisando mais na bola do que o outro, mas geralmente (digo geralmente e não sempre) os problemas da família são problemas conjunturais, problemas complexos nos quais todos estão envolvidos em maior ou menor grau. Creio que mais útil do que tentar transformar o outro (pois ele é o problema) é abrir o meu coração para que o Eterno possa transformar a mim mesmo, pois se o Eterno fizer um milagre em mim, poderá também fazer um milagre em minha família através de mim. Vale a pena cantar: “A começar em mim, quebra corações…”

Rev. Jeferson Carvalho Alvarenga

 

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