O Chamado da Graça

O Chamado da Graça
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Poucas palavras podem parecer tão inofensivas quanto a palavra “graça”. Contudo, se meditarmos profundamente no sentido da graça cristã, veremos como a mesma é radical e até agressiva. Sim, agressiva. Imagine o olhar de um fariseu, um judeu conhecedor da lei e rigoroso no cumprimento de cada detalhe de cada mandamento, vendo Jesus chamar pessoas desqualificadas, inadequadas, incapacitadas e iletradas para serem seus aprendizes. Ao contrário dos outros mestres de seu tempo que se cercavam de verdadeiros talentos, Jesus chamou pescadores (Mc 1), mulheres que eram desprezadas pela sociedade daquele tempo (Lc 8) e até publicanos (Lc 5) para serem seus aprendizes. Aos olhos dos líderes judaicos, aquelas pessoas não tinha mérito nenhum para serem discípulos de Jesus.

O Senhor Jesus traz esse sentimento de injustiça a tona na parábola em que mostra o dono da vinha pagando com igual valor pessoas que trabalharam diferentes porções de tempo em sua vinha, mostrando que aquilo que é visto com injustiça pode ser por outro lado generosidade e graça (Mt 20.1-16). Nesta parábola Jesus consegue expor bem a radicalidade da graça e por que, se levada a sério, ela é tão agressiva: a ideia de que o que fazemos não impressiona a Deus e por mais que possamos ser bonzinhos e comportados precisamos da graça como qualquer assassino precisa, por que no fundo somos todos carentes e necessitados do perdão de Deus.

A graça é radical por que afirma por um lado a pecaminosidade de todos nós, independentemente de onde viemos e do que fizemos. Por outro lado, a graça é radical por que afirma sobretudo que há um amor incondicional em Cristo que nos cobre, nos unindo e nos igualando, colocando lado a lado gente criada na igreja e pecadores dissolutos arrependidos. Muitos podem achar a graça injusta, como na parábola, mas apenas se acharem que dela não precisam. Se olharmos para nós mesmo com olhos sinceros e coração verdadeiro, veremos que é da graça que precisamos, esse amor incondicional e poderoso que venceu por nós e agora vence em nós.

Pr. Jeferson C. Alvarenga

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