O Desequilibrista

O Desequilibrista
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Você já deve ter visto alguma vez (nem que seja em um desenho animado) o número do equilibrista: um cara, uma corda, o olhar fixo, o corpo buscando incessantemente o equilíbrio para poder chegar do outro lado. Esta imagem tem uma beleza poética que nos ensina algo sobre a nossa vida: estamos tentando nos equilibrar do jeito que dá enquanto tentamos chegar vivos do outro lado. Mas você já deve ter visto também que existe uma maneira de tornar o caminho do equilibrista mais difícil: dê um malabares pra ele ir fazendo enquanto se equilibra e aí a coisa fica maneira, por que além de se equilibrar, o equilibrista terá de equilibrar outras coisas.
Tá aí uma imagem que nos define: estamos tentando manter o equilíbrio enquanto fazemos malabares com uma infinidade de coisas. O trabalho, o cônjuge, os filhos, os pais, os amigos, a igreja, o curso, a faculdade, a escola, a saúde, a academia, o hobby, a rede social, os livros, os filmes, a série, os avós, viajar, a igreja, a leitura da Bíblia, orar, fazer compras, abastecer o carro, trocar o óleo, consertar a tv, chamar o cara da tv a cabo, assistir a tv a cabo… Você sabe que eu poderia continuar ainda por horas e horas, listando o número infinito de coisas que precisamos fazer, pessoas com as quais precisamos nos relacionar, elementos que precisamos equilibrar. O fato é nos vemos em uma missão que sabemos ser impossível: levar tudo, fazer tudo, ser tudo para todos e chegar ao outro lado dessa corda bamba.
Gostamos de falar sobre vida equilibrada, mas sabemos que estamos mais para desequilibristas do que equilibristas. E quais as consequências disso? Estamos sempre deixando alguma coisa cair pelo caminho e as vezes negligenciamos relações centrais, abandonamos filhos e cônjuges emocionalmente, caímos pelo caminho, perdemos a saúde, perdemos a direção, perdemos o tempo, perdemos o sentido, perdemos a nós mesmos…
Há muitos anos que meu coração se lembra sempre de um pequeno trecho no tecido do livro de Provérbios: “Meu filho, guarde consigo a sensatez e o equilíbrio, nunca os perca de vista” (Pv 3.21). Sensatez e equilíbrio! Ser sábio é ser sensato e equilibrado. Mas como desenvolver essas qualidades tão raras e essenciais? A resposta do sábio é: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria!” (Pv 1.7, Pv 9.10, Sl 110.10). Primeiro as primeiras coisas, primeiro o Senhor.

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